No Coração do Mundo…

A Morada do meu Pai, é no Coração do Mundo, aonde existe todo o Amor e tem um Segredo profundo...
Quando estive em Alto Paraiso pela primeira vez, na ocasião da Trancendence, eu ficava imaginando como seria em cima das Chapadas… Que tipo de energia teria alí? Como seria o mundo visto lá de cima. A Trancendence foi no início da minha jornada espiritual, e ainda não supunha do que estava por vir.
Neste ano senti a necessidade de dar um passo mais além. A possibilidade de voltar para a Universo Paralello ficou eclipsada pela negativa de minha apresentação no Chill Out de lá. Sábio Universo. Germinou a intenção de estar no Alto Paraíso de Goiás, com meus irmãos de jornada: Pú, Tiago, TC, Lívia e muitos mais que conheceria e reencontraria por lá.
A semente da intenção germinou na decisão e frutificou na ação: Depois de mais de 2.500 km dirigindo, chego ao meu destino. Vim só, mas não desacompanhado: vim com a Lú Rosa no coração e com as mensagens dos Padrinhos Valdete e Sebastião no MP3 player do valente Fiesta Psy.


Mais uma vez percebo que a intenção nasce de um objetivo maior: assim como no ano passado, quando na verdade eu não fui para um festival chamado Universo Paralello, mas sim para o meu batizado, dessa vez a firmeza adquirida ao longo de 2006 me deu a expectativa do que estava buscando: momentos de paz e luz durante um trabalho no reveillon em Alto Paraíso. Mas algo muito maior se armava!
Acordamos no dia 30 de Dezembro com a missão de ir até uma cachoeira, no coração do Morro da Baleia, já dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Lá faríamos um trabalho espiritual. Ao estacionar os carros perto da Chapada, sua imponência me assustou: “Vamos subir nessa Chapada???” – desacreditei.
A subida começou amena, com um solzinho leve, em meio a uma mata. Minutos depois começa a subida na rocha. Tive que ligar a tração 4X4: mãos ajudando os pés encosta acima. No meio da subida, já ofegante, contemplo a imensidão no horizonte: estava começando a minha conexão com o Ser. Os difíceis momentos finais da subida foram recompensados ao ver a Chapada de cima: plana, vegetação baixa, muitas flores, e diversos manancias de água pura. Coisa linda de se ver.
A caminhada sobre a Chapada recomeça em ritmo rápido. Alguns riachos são ultrapassados com atenção para não se escorregar. Depois de uma looooonga jornada, chegamos em uma etapa importante da nossa missão: estávamos em frente do ponto onde se inicia a queda d’água, nascente da cachoeira que iríamos conhecer… por baixo!!!
Fizemos uma meditação e consagramos a Santa Medicina ainda em cima da imensidão: começa a descida vertical para alcançar o outro lado da Chapada, agora rumando para onde estava a base da Cachoeira.
Descida extremamente íngrime: vou me agarrando, tateando, as pedras rolando… e a força vindo. No nível do solo, a caminhada recomeça agora em meio ao leito do riacho e suas pedras roliças. Muita atenção a cada pisada.
O nosso guia Henry nos adverte: “Vamos agora adentrar um local sagrado. Muita atenção em seus pensamentos e muita reverência ao adentrar essas energias sutis”. Percebo que não posso mais carregar minha filmadora (sim, ela estava comigo!!!) e a deixo sobre um arbusto. Certo que me esqueceria do local, peço a um irmão que me auxilie, lembrando-me do local para recuperá-la na volta.
“Dá licença de eu entrar” – com a mais profunda reverência àquele local sagrado, vou caminhando passo a passo com a maior concentração. A Força começa a se fazer presente em sua total intensidade. A partir daí o Infinto do Agora tomou conta do meu Ser, e ele é algo “tão bonito para quem quer ver e observar”. A harmonia das kalimbas executadas por Henry, se integraram perfeitamente ao canto dos pássaros, e aos cânticos entoados. Dádiva de se estar ali.
Os ensinos foram muitos, tantos que poderiam encher livros, e por serem pessoais fica fora de contexto a sua narração aqui. A oportunidade de sentir a força da Cachoeira Divina era naquele agora, e todos entraram no pequeno lago translúcido formado pelas águas doces da Mãe Natureza. Momentos de integração máxima com a Natureza. O frio do Astral somado ao gelo da água foi coisa linda de se sentir. Começa a chover. O frio se intensificando. Começamos a sair das águas e a recolocar as nossas roupas.
A chuva continua. O segundo despacho. Quando me preparava para encontrar um local para deitar (sob a chuva), o Henry nos convida para retornar. E a chuva ia apertando inacreditavelmente. A água doce que vem caindo do céu.
Na Força, cada passo tem que ser firmemente planejando, com calma e atenção. Vou saindo da “Catedral do Astral”, com muito agradecimento pela honra de poder ter estado alí. Fui lentamente, agradecendo e pedindo proteção. Momentos difícieis na transposição de pedras, agora muito mais escorregantes pela chuva, foram anemizados com o auxílio dos irmãos.
“Cadê a filmadora?” – ai ai ai, sabia que ia perder o local… Depois de um certo embaço, o Henry localiza o objeto e posso prosseguir. A chuva caindo soberana. E nós alí, serpentenado pelo riacho que vai ficando mais caudaloso.
Uma parada para reunir a galera na base do riacho, logo antes da escalada. Nesse momento eu e o meu novo e eterno amigo, o Rodrigo, começamos a puxar o hino “Flor das Águas”, que é a mais perfeita tradução para aquele lugar. Os demais aproveitaram para fazer a sua limpeza. Retomamos a caminhada e começa então a minha grande penitência: escalar o paredão vertical ensaboado pela lama e chuva.
“Firmeza, Atenção e Obrigado. Firmeza, Atenção e Obrigado” – devo ter repetido isso milhares de vezes durante a subida. Não tinha jeito: tinha-se que se firmar e buscar a energia nem sei de onde. E eu ainda na Força. Agarrava-me como podia nas reentrâncias, nas raízes, nas pequenas rochas. E para cada uma delas: Firmeza, Atenção e Obrigado.
Só ao chegar no topo realizei a altura que galgamos. A sede secou a minha boca de uma maneira nunca sentida. Bebia a água da chuva, gota a gota, e isso me fortaleceu. Hora da caminhada no platô da Chapada. E a Cachoeira lá embaixo, soberana. Despeço com a mais profunda reverência.
“Era tão longe assim?” – pergunto-me ao sentir que acabara o glicogênio da musculatura da minha perna direita. Vou arrastando-a como eu posso. No meio do caminho, uma pausa para esperar os que ficaram para trás. A chuva pára. Um momento mágico de conexão acontece: “Vicente Luís de Campos Rubino, obrigado por ter me dado esse Presente!” – diz a ecoante voz de meu Eu Interior. Não consigo conter as lágrimas que descem com o mesmo ímpeto das chuvas que há pouco banhavam a Chapada.
A descida final foi totalmente na “tração 4X4” novamente. Bunda no barro, pés tentando se firmar e mãos agarrando qualquer coisa que me sustentasse. Ter humildade para reconhecer os meus limites e respeitá-los foi um dos ensinos que trouxe de lá.
Caminhada final na mata, carro, estrada, casa, roupa seca e colchão. Estava de volta. Fico conectando tudo que foi visto, sentido e realizado. O corpo vai se recompondo. A mente voltando a questionar as coisas… Aterrisando no mundinho 3D novamente…
As águas doces da chuva e das cachoeiras vão lavando todo o nosso ser, levando essas nossas coisas “não tão doces assim”… Os riachos se transformam nos rios que alimentam outros rios, que chegam no mar. Por isso o mar é salgado…
Vamos todos nos limpar! Permita-se um Ano Novo diferente, conectado a a essência do teu Eu Interior que é a Verdadeira Essência, e não mais naquela “essência” que a propaganda da mídia e a insensatez cidade grande quer que você assuma.
(Quando eu dou por terminado esse texto, olho no relógio e vejo que são 11:11. Amém!)

6 comentários sobre “No Coração do Mundo…

  1. Seguimos com firmeza, atenção e muita gratidão em 2007 e por todo o sempre!
    A magia da Chapada estará sempre viva em nossos corações…

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  2. Irmão de jornada.
    Este texto sobre a visita ao santuário sagrado da cachoeira do morro da baleia está divino.
    Os detalhes são mesmo de arrepiar e fazem-me lembrá-los um a um.
    Só mesmo quem vivenciou esta experiência pode ter a honra de agradecer ao Divino por ter estado ali e compartilhado com os seres da floresta esta dádiva da Mãe Terra.
    Isto ficará gravado para sempre em nossos corações.
    Parabens irmão pela clareza na narrativa dos detalhes.
    Muita luz , paz e gratidão.
    Abraços
    Paulo Melo

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  3. Bela narrativa, dá para sentir a emoção da vivência e a energia mágica do lugar. Quando fores de novo para este tipo de aprendizagem por favor comunique, … quem sabe possamos ir juntos ….

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  4. Meu irmão, como falamos, estas experiências são formas de chegar ao meu “eu” e se colocar um pouco mais perto de “deus”.
    Fico feliz em ler um texto destes pois, às vezes, fico preocupado com a falta de emocionalidade que percebo nas pessoas.
    Acredito que sem emoções, sem coração, não vamos a lugar algum, se tivermos como objetivo viver de uma forma que valha a pena.
    Eu sinto emoções.
    Abraços,
    Vitor.

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  5. “… pela cura do planeta Deus convoca em oração”
    Que possamos cultivar a paz, pois “juntos somos um”. Muito Axé, com toda força! Que possamos nos manter conectados para todo o sempre!
    Um beijo grande! O trabalho foi lindo! Que possamos propagar toda a harmonia da noite do 31/12.
    Beijos,
    Mônica.

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  6. Rubino: Muito bom ler a tua narrativa, foi uma linda aventura esta nossa ida a cachoeira do morro da Baleia… A magia deste local sempre faz ressoar profundos acordes naqueles que se encontram sensiveis a sutil melodia de seu próprio SER… Chegando na Chapada depois de uma longa viajem, vem aqula saudade deste clima de magia que aqui se instalou nos últimos dias do ano de 2006. Espero revê-los todos por aqui, no final deste 2007. Muita paz , luz e harmonia, irmãos
    Henri

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