A FÁBRICA DE UM NOVO MUNDO

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Escrevo este texto sob o sons dos pássaros, sob o céu azul, permeado de nuvens brancas, em meio do verde, flores e frutos…
Ao longe vem um som seco, ritmado, como se fosse um rufar de tambores. Tum… Tum… Tum… Tum… São os homens fazendo a bateção.
O sol ainda não depertou por sobre a colina, mas todo o brilho de sua Luz já se faz presente. Acordo com seus primeiros raios, e com o canto dos galos que anunciavam a alvorada. Os pássaros voam em grupos trazendo-nos suaves notas musicais.
Entro na cozinha, sirvo-me de pão integral que saía do forno caseiro, leite e bolo de chocolate. Vou até o outro lado da campina, na nascente, buscar água de beber para a casa, numa bombona de 20 litros. Retorno. Abro as duas porteiras e volto para a casa. Mais uma vez, retorno para a Secretaria para pegar papel higiênico e abasteço os banheiros.
Lembro-me das bolhas e dos cortes em minha mão e troco os curativos. Lembro-me também dos demais que já estão na bateção, lá dentro da mata, e levo para lá o meu rolo de esparadrapo. Aviso: “É melhor colocar antes das bolhas surgirem!”. A equipe bate forte no cipó Jagube, e a dura casca vai cedendo, deixando correr a sua seiva ocre escura e assim vão se expondo as fibras internas. O pó que se forma é armazenado de um lado do batedor. As lascas do Jabube dilacerado, do outro. Os primeiros sacos são cuidadosamente pesados e estocados, para quando as panelas já estiverem prontas. A força dos homens a cada impacto das marretas vai se somando à Força do Jagube…
Volto para a área fora da mata. As mulheres, lindas em suas saias compridas, distribuem sorrisos de Bom Dia, ao se ocuparem dos afazeres de organização e limpeza do ambiente. Dentro da igreja, as derradeiras folhas da Rainha são cuidadosamente limpas. Cada folha é observada, tocada, acariciada e, assim impregnadas do sutil feminino, trazem a Luz…
A água das cristalinas nascentes do sítio é captada através de uma extensa tubulação e é colocada dentro das grandes panelas de aço inox.
Alguns companheiros carregam feixes de lenha e outros se ocupam em reacender a fornalha. As panelas já estão posicionadas sobre a fornalha e o espaço entre elas e a base de cimento da fornalha é cuidadosamente fechada com barro para evitar a saída de fumaça por alí, e assim a chaminé recomeça a soltar uma suave fumacinha branca. Enfim, a fábrica volta a funcionar!
O produto da fábrica não pode ser limitado a apenas uma bebida feita de cipó, folha, água e fogo. É muito mais do que isso. Lá se somam o trabalho, a intenção e a Fé de todos. Aqui estão pessoas da Floresta Amazônica, do Cerrado, do Uruguai e também de várias comunidades da região sul… Meus amigos da Egrégora estão aqui. Minha mulher está aqui. Em todo o sítio, diversas crianças brincam alegremente. Aqui também convivemos com os “Padrinhos” da Doutrina, experientes senhores que trouxeram esses ensinos até nós e ainda tem a disposição de participar ativamente do processo da “fábrica”, sempre nos incentivando e nos trazendo um “causo”, lá de seu extenso baú de memórias.
Toda esse mistura de elementos da natureza e da energia das pessoas, como céu, chuva, bichos, árvores, homens no trabalho pesado, flores, frutos, cheiro de pão caseiro quente, crianças, senhores, e mulheres sorrindo, faz com que o produto verdadeiro dessa “fábrica” seja o “Mundo Novo“.
Não estamos fabricando um sonho aqui. O que antes já foi um Sonho, agora se transformou na Realidade. Essa é a realidade do “Mundo Novo” que estamos construindo juntos. Que Assim Seja!
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