Matéria de hoje sobre Ecovilas

Um assunto raro de se ler na mídia, mas que dia após dia vem ganhando o seu espaço, dado aos problemas ambientais que o atual modelo nos impõe:
Minicidades sustentáveis
Mundo tem 15 mil ecovilas, comunidades-modelo de baixo impacto ambiental que reúnem até 2 mil habitantes
Lucas Frasão e Ana Bizzotto, Especial para o Estado
SÃO PAULO – Na contramão do caos das metrópoles, têm surgido ecovilas que reaproveitam recursos naturais e são reconhecidas pela Organização das Nações Unidas como modelo de sustentabilidade. Elas já são mais de 15 mil no planeta, segundo a Rede Global de Ecovilas, maior entidade do setor, que tem associados no Brasil.
Em tempos de crise ambiental e econômica, as ecovilas simbolizam a busca de um novo modo de vida, mas diferente do das antigas comunidades alternativas pela escala – têm até 2 mil moradores – e pela gestão, com venda de lotes e busca de rentabilidade. Entre os preceitos das ecovilas estão plantar aquilo que se come e adotar padrões sustentáveis de construção, que incluem sistemas de captação de água da chuva (mais informações nesta página). Também seguem documentos socioambientais de referência, como a Agenda 21, resultado da Eco-92, realizada no Rio.


Algumas das primeiras e maiores comunidades do mundo foram criadas por volta de 1970, como a Auroville, no sul da Índia. A meta da ecovila indiana é se tornar uma cidade autossuficiente para 50 mil habitantes – hoje, são cerca de 2 mil. Outro exemplo é Damanhur, no norte da Itália. Com mais de mil moradores de diversas nacionalidades, Damanhur tem Constituição e unidade monetária próprias, além de um jornal diário, escolas e uma universidade “livre”.
BRASIL
As ecovilas brasileiras não são tão populosas assim. Mas as comunidades têm crescido desde que o modelo chegou ao País, há uma década.
O projeto da Ecovila Clareando, em Piracaia, interior paulista, surgiu em 2001. Os 97 lotes começaram a ser vendidos quatro anos depois. Hoje, com metade das terras comercializadas, as primeiras famílias estão se mudando para lá.
“Morar em uma ecovila significa passar por mudanças radicais de comportamento”, diz o engenheiro agrônomo Edson Hiroshi Seó, idealizador da comunidade Clareando. Mas, apesar de radicais, essas mudanças implicam reencontrar um estilo de vida menos distante, historicamente, do que parece. “Há apenas duas gerações, nossos antepassados viviam no campo. Erguiam as casas da própria terra e tiravam os remédios do mato. Isso se perdeu no homem moderno”, afirma Seó.
Outra ecovila, em Terezópolis de Goiás, a 40 quilômetros de Goiânia, mostra como esse tipo de empreendimento pode ser rentável. Desde 2004, mais de 80% dos 335 lotes da Santa Branca foram vendidos. “Nosso negócio é traduzir a ideia da sustentabilidade para o mercado”, diz Antônio Zayeck, de 44 anos, presidente da associação de moradores e o primeiro a erguer sua casa no local.
Para Ely Brito, idealizadora da Viver Simples, na zona rural de Itamonte, sul de Minas, a sustentabilidade não se limita ao espaço da ecovila. “Nosso projeto procurou preservar as tradições locais e trocar conhecimento com a comunidade da região”, diz Ely. O terreno da Viver Simples, comprado em 2006, fica na área de proteção ambiental da Serra da Mantiqueira. Os futuros moradores conseguiram licença ambiental para construir as casas, que devem ficar prontas em dois anos.
CURSOS
Para quem quer saber mais sobre o tema, o Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema) serve de referência. Localizado em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, o instituto tem um centro de treinamento. O curso mais disputado custa R$ 480 e vai de março a julho. Visitantes podem conhecer o local às sextas-feiras, pagando R$ 20.
O Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, em Pirenópolis (GO), também promove cursos e presta consultorias. Criada há dez anos, a ecovila de Pirenópolis tem cem famílias.
BIOCONSTRUÇÃO
Entre os pilares das ecovilas está o uso de técnicas de construção que minimizem impactos ao ambiente. Uma dessas correntes é a da bioconstrução, que prevê a reciclagem e uso de materiais disponíveis na região. “Isso permite maior integração com o entorno, tanto nos aspectos estéticos como nos funcionais”, explica o arquiteto Daniel Quintão, especialista em bioconstrução pelo Centre Ecologique Terre Vivante, na França.
A escolha das técnicas construtivas e dos mecanismos de redução de efluentes e de lixo deve considerar clima, relevo, material e mão de obra disponíveis. Para economizar energia, os projetos dão prioridade à ventilação e iluminação natural. Há também a opção do aquecimento solar e de cataventos, por exemplo, para gerar energia eólica.
O recurso do “teto verde” como cobertura ajuda a regular a temperatura e a captar água da chuva, armazenada em reservatórios subterrâneos e utilizada para vários fins, como dar descarga.
Os projetos sempre incluem o tratamento de esgoto. Em alguns casos, os imóveis têm o “banheiro seco”, para transformar resíduos em húmus e reutilizá-los como adubo. “Algumas pessoas não acreditam que a gente consegue viver em ecovila. Mas é uma mudança de hábito”, diz Marcelo Bueno, arquiteto e secretário executivo do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema), em Ubatuba. As telhas da sede do Ipema foram feitas a partir da reciclagem de tubos de pasta de dente.
As paredes das casas podem ter como matéria-prima adobe, tijolo de terra crua, bambu e pau-a-pique. Mas até o cimento é usado, em menor escala.
(fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,minicidades-sustentaveis,330316,0.htm)


Outras fontes sobre ecovilas:
ARCA VERDE: http://arcaverde.org
YBITU-CATU: http://ybytucatu.com.br

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