A Manifestação vista acima do tempo de hoje

Cheguei agora da Manifestação. Mas saí para a rua um pouco antes da maior parte das pessoas que para lá também foram (e principalmente das que não foram): saí para a rua em 1983…

Década de 80: Estávamos no auge do movimento pelas Diretas Já. Naquele tempo a inflação estava literalmente “a mil”, havia a ditadura militar ainda no poder e era o início do PT com o Lula e seu sindicalismo de porta de fábrica prá fora, já querendo tomar vantagem daquela situação caótica.

Em novembro de 1983 sai do CEN – Centrinho da Engenheira Naval, entidade estudantil na qual eu era vice-presidente, e junto com meus amigos participamos do primeiro grande ato pelas Diretas Já, em frente ao Estádio do Pacaembu. No ano seguinte, em abril, o movimento tomou o Vale do Anhangabaú em São Paulo com mais de um milhão e meio de pessoas. Estava eu novamente lá gritando pelas Diretas.

Em Janeiro de 1985 eu estava voltando ao Brasil de uma viagem ao exterior, de navio de carga, e quando a rádio AM começou a captar as primeiras estações, estava sendo transmitida a sessão que elegeu por voto indireto o Sr. Tancredo Neves. Era 15 de Janeiro de 1985.

Infelizmente, talvez pelas mesmas “forças ocultas” que fizeram Jânio renunciar, Tancredo nunca assumiu, tendo ficado doente na véspera de sua posse (!). Morreu em 21 de Abril de 1985, Dia de Tiradentes. Uma incrível carreata ocorreu desde o Instituto do Coração até a Ala Especial do Aeroporto de Congonhas. Acompanhei o cortejo, de moto, a poucos metros do carro do Corpo de Bombeiros.

A primeira eleição direta, depois de tanta luta, elegeu Fernando Collor. Acusado de corrupção (principalmente pelo Lula) por ter ganho um Fiat Elba, foi incrivelmente atacado por todos os setores políticos; e numa infeliz chamada pela tv, onde pediu para que o povo usasse verde e amarelo no domingo, gerou o protesto do Domingo Negro. Eu já estava em Porto Alegre e passeei de camisa preta na Redenção. Foi em 16 de Agosto de 1992.

A partir daí um vácuo político tomou o Brasil com os 20 anos de PSDB+PT e foram poucas as manifestações.
No ano retrasado o movimento das manifestações recrudesceu e tivemos as Passeatas de Junho de 2013. Confesso que dessa vez não me empolguei como antes, e apesar dos milhões terem ido às ruas, terem subido no prédio do Senado e etc e tal, a Dilma foi reeleita numa eleição apertadíssima e duvidosíssima.

Se você teve saco de ler até aqui, prometo que vou direto ao assunto atual:

Se eu que sou a favor da manifestação anti-PT, fiquei supreso pela incrível quantidade de pessoas que tomaram as ruas de Porto Alegre, imagina a surpresa (desagradável) dos petralhas que desdenhavam do sucesso da manifestação!

Esse desdém prévio se avolumou num escárnio dos desesperados. Olhei o Facebook antes de escrever este artigo e realmente deu pena dos que não foram às ruas: zoeira com bandeiras de Cuba, fotos de topless, uso de agressões verbais, adjetivações e zoom no detalhe e cegueira para a irrefutável imagem do movimento.

Hoje eu fui (mais uma vez) para a rua. E o que lá estava não era um movimento de um partido. Não era uma reunião de pessoas que foram pagas e aliciadas para lá estarem. Eram centenas de milhares de pessoas que fizeram uma manifestação pacífica (xingaram quem usava vermelho sim), uma manifestação alegre, tranquila (haviam vovós e crianças). A manifestação foi contra Dilma e contra do PT. Foi gigantesca!

As pessoas estão indignadas com a corrupção no governo. Com o estelionato eleitoral, onde a candidata mentiu em todos os pontos de suas promessas. As pessoas estão com raiva das mudanças feitas pelo PT nas garantias trabalhistas. Com o aumento da inflação e dos preços da água, luz e gasolina. Da incrível alta de juros que assola a classe média. Todos estão desesperançosas com o futuro da pátria.

Acho que Porto Alegre nunca viu nada igual. Nem a comemoração do Tetra foi assim. A cidade abraçou em passeata o percurso entre o Parcão e o Parque Farropilha, ida e volta. Foi realmente, “lindo de se ver”… kkkkk…

Recado dado nas ruas de todo o Brasil, os 2 ministros sem gravata da Dilma foram à TV para falar seu entendimento sobre esse recado: Ficou claro que nada entenderam, pois se limitaram a reproduzir as falas da Dilma e a menosprezar o movimento logo de início afirmando que a passeata foi feita por que não votou do PT.

A situação hoje é que não é mais sobre “quem votou e quem não votou”. As maldades da Dilma estão ferrando com todo mundo, suas mentiras são facilmente identificáveis para aqueles que não estão com os sentidos vedados pelo orgulho e a rota traçada ruma ao precipício.

FORA DILMA E FORA PT. VÁ PRÁ CUBA E LEVE TODOS OS PETRALHAS COM VOCÊ!!!

(veja meu relato fotográfico no link abaixo)

manifestando

Gravação do DJ SET no Festival Kundalini 2015

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Rubis Kundalini 2015 – PsyChill at Clouds MIX by Rubino on Mixcloud