TRATADO SOBRE A RAZÃO

A palavra Razão tem muitas interpretações, todas elas comungando um mesmo valor e sentido.
Em essência, razão é a capacidade de raciocinar, compreender ponderar e julgar. 

Na matemática, razão é a relação existente entre dois valores, medidas ou grandezas. Significa também uma divisão.

Indo mais para a frente dos que apenas discutir os significados etimológicos da palavra Razão, vamos agora analisar os efeitos dela sobre o comportamento humano.

Razão é aquilo que todos acham que possuem, mas poucos tem. Porque para se alcançar a razão pressupõe-se um notável desenvolvimento do intelecto. O racional é aquele que compreende o foco de sua observação. Que conhece, que domina esses aspectos e tem a experiência prévia da comparação entre as nuancias que diferenciam aspectos totalmente desconhecidos pelo leigo. Ou seja, o alcance da razão é consequência do estudo e da dedicação.

Razão é cartesiana, é matemática, como definida em uma de suas interpretações… Mas assim como 1 + 1 nem sempre é dois, como nos demonstra a álgebra vetorial (vale a pesquisa para os interessados), a Razão nem sempre é exata quando aplicada nas ciências humanas e nos estudos esotéricos. A Razão divide…

A Razão sendo racional, vem do raciocínio, e este é uma função da mente. Porém existe outra dimensão que se interelaciona com a razão e está no âmbito do coração. Essa dimensão pode ser caracterizada por vários atributos, como a empatia, a tolerância, a resignação, a fé, e tantos outros derivativos do Amor. 

Mas o Amor  também precisa da Razão.  Já nos alerta o Livro dos Provérbios em 27:5 “É melhor a crítica franca do que o amor sem franqueza”. 

Ir além da Razão significa transitar na esfera da plenitude do Amor. Completa-se assim a maestria da vida. O “Conhecer” da Razão e o “Compreender” advindo da Razão Amorosa.

Quando se limita apenas na intelectualidade da Razão, ficamos cercados pela divisão, pela luta pela propriedade da verdade dos fatos e da interpretação míope dos acontecimentos. Essa talvez seja uma barreira limitadora para a ciência moderna, que precisa transcender para a união com a espiritualidade. Certamente também é a principal barreira nas relações interpessoais de nossa condição humana. A razão te projeta, mas depois nos divide.

“Prefiro ter Paz do que ter Razão”, bordão propagado nas redes sociais e manuais de auto-ajuda de ocasião. Como se fosse possível ter paz interna sabendo-se ter razão e não vivenciando essa razão. Impossível.

Porém é totalmente viável atentar para a forma, o momento e o conteúdo que expressamos a Razão: Ficamos alterados ao defender o nosso ponto de vista? A expressão de nossa Razão é feita de forma reativa, ou nos damos o tempo de ponderar o contexto e escolhemos conscientemente o momento oportuno de trazer nosso entendimento para aquela situação? A exposição da nossa Razão visa o entendimento, tanto da situação quanto do estágio do nosso interlocutor? É apresentado de forma transparente, sem apresentar traços de soberba ou censura?

Apesar de podermos levar o nosso Amor a todos, não podemos impor nossa Razão a quem quer que seja.

A Razão e (assim como seu companheiro interdimensional) o Amor, são evolutivos. São interdependentes. Só na sua mais perfeita união que se alcança a Paz Profunda. 

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