Soneto FLW

Passarinho me contou
Para se ter paciência.
Pois em céu de urubú
Sempre vem maledicência.

Pensando que é beija flor
Vai voando para atrás.
Pura vida sem valor
Depender de algo mais…

Quando um dia então se ver
Como este, rejeitado,
Talvez tenha mais carinho.

Dói,  e vai se arrepender:
Não devia ter trocado
Teu verdadeiro padrinho.

Lua

Lua, tens sabedoria.
Me inspira a olhar
Minha vida,  noite e dia,
Num eterno oscilar.

Só oscila quem não sabe
Que ao ficar em seu lugar
A consciência se abre:
Não és esse oscilar.

Pois a noite e o dia
Para a Lua não destina
O que vem apresentar.

És o que se irradia:
Não apenas na retina
Fica o belo do luar.

Vivendo a vida de um outro alguém

Os teus sonhos já foram sonhados.
O teu presente já foi um passado.
O que inicias já foi acabado.
E o teu erro já está mapeado.

O que recebes está reciclado
De um lixo que não foi depurado.
E o amor que pensas existir,
é a culpa que vais dividir.

Melhor seria, vivesses também
A sua vida, não a de outrém.
Recomeçasse a partir do teu erro.

Tivesses paz e não o desespero.
Um homem livre e não um refém,
Vivendo a vida de um outro alguém…

Resignação

De todas as coisas do mundo
São poucas as que posso alcançar.
Porque não se pode ter de tudo
Mesmo que tudo possa se dar.

Isso abre para a consciência
Da humildade de um co-criador.
Pois só o Todo que tem a ciência
Da beleza e perfume da flor

Todos atos aqui praticados
Servem como experimentação
E para conviver com os errados

Devemos ter resignação
E mudar que deve ser mudado
Para nossa própria evolução.

Três Rotas

O caminho era torto e estreito.
Já não sonhava mais em chegar.
E agora, três rotas espreito.
Todas elas, queria trilhar.

Uma aponta para um futuro
Que muito eu desejei no passado.
Outra rota me tira do escuro
E me mostra eu reinventado.

A terceira, me dá a vontade
Novamente de eu viajar.
Decidi ir por este caminho.

Já não sinto (de nada) saudade.
Nesta rota vou continuar.
Agora não estou mais sozinho.

Soneto Ponderado

Se expressar um sentimento
Fosse coisa de momento
Não seria expressar
E apenas extravazar.

Expressar o que se sente
Une o coração e a mente.
Tem-se que elaborar
Para o certo emanar.

Pois é coisa de momento,
A raiva, a morte, o vento…
Não se pode controlar.

Agora, se olhar por dentro,
Entender seu sentimento,
Só o tempo, a ensinar.

Encruzilhada

São tantas as  encruzilhadas
Nem sei se me acalmo ou se eu surto.
Nem sempre, a boa estrada
É aquele caminho mais curto.

As vezes acerto o tom,
Por outras, eu me atrapalho.
Se o curto sempre fosse bom
Era o caminho, e não o atalho…

Pior que ir pro lado errado
É na rota ficar parado.
Se erra, aprende o caminho,
Não vai mais para aquele lado.

Se para e não vai adiante,
Depois não vá se arrepender.
O que a gente mais lamenta
É o que deixou de fazer…

Se eu pudesse te fazer uma pergunta

Se eu pudesse te fazer uma pergunta
Sobre algo que ajudasse nessa hora,
Com certeza que eu te  perguntaria:
– Qual seria o teu problema agora?

Não é sobre um passado reticente
E nem sobre um futuro a preocupar…
Te questiono sobre o momento presente
Que pareces não saber vivenciar.

Pois quem vive no presente nada teme.
Tudo é certo nessa hora e lugar.
Todo instante é um momento solene
E a alegria está a cada inspirar.

Se eu pudesse te propor uma lembrança
Para nunca mais poder se preocupar:
– Vivencies teu agora, e confiança
Na chegada de tudo que imaginar.

Soneto Duplicado

Neste mundo balançado
Pouca gente tem clareza
Do que é certo ou errrado
E eu falo com franqueza

Que o dono da verdade
Se componha em seu lugar
Pois não dou a liberdade
De minha time sujar

Com sua certeza errada
E as mesmas frases de efeito
É só mais um zombeteiro.

Chega até ser engraçada
Sua defesa sem jeito
Da virgem do seu puteiro.

Me chamaste de facista
Te chamaram de petralha
Não me importa que insista
Isso não me atrapalha.

Eu te desejei sucesso
E saudei a natureza
Sentir raiva é retrocesso
Dessa missa eu sei a reza

Vais rir, e para o seu gueto
Se sentir vitorioso.
Um remendo sem costura…

Eu dedico esse soneto
Duplicado e inspirado
Ao Rei da Permacultura.

Convite

Todo mundo tem escolha,
Não se deve reparar.
Mas é certo se colha
O que escolheu semear.

O convite te foi feito,
Tudo bem não aceitar.
Só não deve por defeito
E tentar se desculpar.

Somos puros na essência:
O passado não existe
E o futuro é união.

Expandir a consciência
É quando não mais se insiste
Para o Ego ter razão.

#soneto